sábado, 30 de abril de 2011

Dust Bowl

Vendo uma imagem da tempestade de areia que atingiu a China desde a manhã de quinta-feira me recordei de um documentário, na verdade foi de um programa de um documentário com cinco programas chamado Black Blizzard, super interessante que vi há alguns meses no The History Channel sobre um fenômeno climático chamado Dust Bowl que acometeu a região das Grandes Planícies nos EUA durante a década de 1930.

O Dust Bowl ocorreu em uma das piores décadas da história econômica estadounidense, logo após a crise da bolsa de 1929. O governo havia dado terras a todos que quisessem durante o fim do século XIX e início do XX e com isso houve uma corrida para o interior. Os primeiros anos foram de muitas benesses e excelentes colheitas o que aumentou o interesse, mas com o grande desmatamento e o plantio desregulamentado a agonia começou a iniciar-se. Os fortes ventos levantavam a poeira de um solo nu e as intensificadas tentativas de plantio por causa da crise criaram um efeito catastrófico.

Texas, 1935
Oklahoma, 1936
O interessante, e o pior para a população, talvez por causa dos danos da crise de 1929, é que o governo só foi tomar uma medida realmente significativa como a assinatura da legislação para a conservação do solo apenas depois de uma super tempestade atingir Washington.

Não quero dizer que um novo Dust Bowl ocorrerá na China ou em qualquer outro lugar. As tempestades naquela região do mundo aumentaram nos últimos cinquenta anos, mas a imagem da tempestade de areia na China é que me fez relembrar o evento acontecido há 80 anos.

Para imagens e uma descrição bacana dos eventos e dos porquês da criação das tempestades dê uma clicada nos links a seguir:
http://www.u-s-history.com/pages/h1583.html
http://www.livinghistoryfarm.org/farminginthe30s/water_02.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dust_Bowl
http://www.history.com/topics/dust-bowl/photos#the-dust-bowl

Se preferir, segue links do programa no youtube (Não encontrei no site do THC).
http://www.youtube.com/watch?v=hIHBzu4kzeA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=fBRiJvXqEt8

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um pouquinho sobre impostos

 Quando escrevi o post anterior fiquei me perguntando: Que porcaria de imposto é esse CIDE? É cada imposto maluco. E fui procurar sobre os impostos cobrados no Brasil. Meio que bateu o desespero e bem que eu deveria ter ficado sem ver os absurdos de nosso querido país. Os tributos (impostos, contribuições, taxas e coisas afins), comumente chamamos tudo isso de imposto, estão em todas as esferas (federal, municipal, estadual, bairral, e quantos al tiver) e são dos mais variados tipos. Até pensei em elencar vários aqui, mas seria uma completa perda de tempo colocar uma lista dos inúmeros assaltos ao esfolado bolso do contribuinte brasileiro.
Lembro que certa vez em uma aula de Cultura Organizacional, eu e meu amigo Leandro, quase fomos expulsos da sala de aula pelos nossos colegas de classe e pela professora que nos chamou de coronéis apenas por afirmarmos que as leis trabalhistas engessam a economia desse país. Gostaria de me retificar com todos que estavam presentes naquele dia por nosso engano. Não é apenas o custo trabalhista que engessa nossa economia. Mesmo que as empresas banquem um custo de 102% sobre a folha de pagamento transformando esses encargos nos mais caros do mundo, o que obviamente prejudica a criação de empregos, peço desculpas por minha errônea afirmação, pois o custo trabalhista não é o único causador de nosso empacamento econômico.
Na verdade, a carga tributária brasileira consome 37% das riquezas do país e somado ao déficit do nosso governo (muitos investimentos?) esse percentual chega a 40%. Dirão, e é bem verdade, que a precariedade da infraestrutura brasileira, com a falta de mão-de-obra, os juros altos – mais uma vez os maiores do mundo – o baixo investimento em tecnologia e um montão de outras coisas que precisam melhorar também estrangulam nosso desenvolvimento e competitividade.
De acordo com a edição 987 da Revista Exame pág 37 a soja brasileira por exemplo, custa 37 dólares a menos por tonelada que a americana para ser produzida. Só que do transporte da fazenda para o porto isso cai por terra e a nossa soja chega ao destino final custando 53 dólares a mais. Outro ponto é que quando falamos em produção em larga escala sempre lembramos da China e de como é desleal a competição com seu custo altamente reduzido. Exemplo dado nesta mesma edição da revista mostra que um biquini para ser produzido no Brasil custa apenas 1 dólar a mais que o produzido na China. Entretanto, com o acréscimo dos encargos trabalhistas passa a custar 4 dólares a mais que o Chinês inibindo qualquer possibilidade de uma melhor competição para nossos produtos.
Quer um exemplo absurdo e de difícil compreensão? Como é possível um Celta produzido no Brasil e exportado para a Argentina ser vendido lá a um preço final de R$ 19.350,00 a versão topo de linha com motor 1.4 quando no Brasil essa mesma versão só que com motor 1.0 começa em pouco mais de  R$ 29 mil? O motor a diesel do C3 que faz mais de 20km/l e que também vai para lá é produzido em Porto Real no Rj.
Basta pegarmos qualquer conta/ fatura que chega mensalmente em nossas casas para vermos a quantidade de taxações a que somos submetidos. O pior é que em muitos casos as taxações são feitas mais de uma vez em cima do mesmo produto. De uns tempos para cá quando passamos nossas compras no caixa do supermercado vemos fora as informações do produto que estamos comprando um percentual fixo, se não estou enganado, de 17% de sei lá o que. Oras, todo esse produto já foi taxado desde o produtor até o beneficiador passando pelos intermediadores e eu como consumidor final pago além dos impostos que foram embutidos no preço, a turma tem que ganhar algum, mais 17% de seja lá o que for?
É, parece piada, mas infelizmente é a dura realidade de um povo que precisa trabalhar praticamente 5 meses só para pagar impostos.

Recebi um e-mail de minha cunhada sobre um vídeo postado no youtube. Tem muito a ver com o assunto do post e resolvi colocá-lo aqui também. É bacana e vale a pena dar uma olhada.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que a gasolina é tão cara?

Abastecer um automóvel no Brasil nunca foi prazeroso. Nesse mês de abril então, deve ter sido mais difícil do que encarar os longos e intermináveis engarrafamentos do dia-a-dia e que foram piorados ainda mais pelas chuvas. Daí, surge uma pergunta que parece difícil de ser respondida: Como é que em um país que se orgulha de ser auto-suficiente em petróleo e que possui o famoso pré-sal pode vender uma das gasolinas mais caras do mundo quando vizinhos que nem petróleo exploram, pagam bem menos? Se somarmos a isso o fato de que consumimos a chamada gasolina “C”, com adição de álcool anidro e que nos demais países não existe essa adição, ficamos ainda mais enfurecidos (ou com cara de bobos). Vasculhando pela  internet descobri (se é que já não sabia) que o grande vilão do assunto é a alta carga tributária do país. Acho que ninguém deve ter pensado que seria diferente.
Segundo o blog da Petrobras os impostos são responsáves por aproximadamente 50% do valor final da gasolina – ICMS, PIS/PASEP, COFINS e CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – e não esqueçamos de acrescentar o custo da adição do álcool anidro. De acordo com o blog Radar Econômico do Estadão a soma de impostos, contribuições e taxas representa aproximadamente 55% do preço final da gasolina no país, equanto que nos EUA, por exemplo, não ultrapassa os 13%.
Entretanto, apesar de a carga tributária ser a via crúcis de qualquer cidadão brasileiro não podemos dizer que apenas ela é que faz com que o preço da gasolina atinja valores absurdos. A adição do álcool e suas oscilações acaba por comprometer a estabilidade ou a redução dos preços da gasolina. O governo ser detentor de menos de 40% das ações da Petrobras, mas possuir 56% dos votos também prejudica a formação de preços decentes ao consumidor e demonstra que a liberdade competitiva do capitalismo vai funcionar de acordo com os interesses do governo que normalmente não parecem alinhados com os interesses da sociedade. Miriam Leitão comenta em artigo escrito em 2009 que o mercado de combustíveis no Brasil é anormal. Ela questiona o porque de os preços em nossas bombas congelarem quando os preços lá fora sobem e o porque de não diminuírem quando os preços lá  fora caem. Resposta que tem a ver com os simples interesses políticos de nossa menina dos olhos. O cartel formado pelos postos de combustíveis que impedem a livre concorrência e a não fiscalização do governo também facilitam a manutenção da alta dos preços e a lenta diminuição destes. É impressionante a igualdade de preços até nos décimos de centavo.
Sentimo-nos lesados todas as vezes que paramos em um posto de combustível e ainda temos que ter a preocupação em não estarmos consumindo produto adulterado, e não o de má qualidade a que estamos acostumados. Não podemos nos fazer de inocentes e achar que os combustíveis são adulterados por causa da carga tributária, mas que isso ajuda e muito a aumentar os casos de adulteração isso é inegável. Fora isso, comparo a adição de álcool à gasolina ao completo absurdo da proibição do uso do diesel em automóveis de passeio.  O protecionismo ao donos de engenho já deveria ter acabado na época do Brasil colonia, mas ainda somos um país antiquado que não percebeu a chegada de novos tempos e vamos engatinhando para os tempos modernos.
Por causa do aumento do preço nas bombas neste mês de abril a Petrobras acabou divulgando nota dizendo que não possui responsabilidade pelo aumento e que a última alteração no preço da gasolina foi uma redução de 4,5% em junho de 2009.
Dessa vez, o responsável pelo aumento da gasolina nas bombas foi o aumento do álcool e que é reflexo da crise de 2009, mas que nos próximos dias os preços tendem a reduzir com o começo da safra 2011-2012.
É esperar para ver.

Música de Domingo à Noite - The Beatles - Come Together


Come Together

Shoot me! Shoot me! Shoot me! Shoot me!
Here come old flattop, he come grooving up slowly
He got joo-joo eyeball, he one holy roller
He got hair down to his knee
Got to be a joker he just do what he please
He wear no shoeshine, he got Toe-Jam football
He got monkey finger, he shoot Coca-Cola
He say "I know you, you know me"
One thing I can tell you is you got to be free
Come together right now over me
He bag production, he got walrus gumboot
He got Ono sideboard, he one spinal cracker
He got feet down below his knee
Hold you in his armchair you can feel his disease
Come together right now over me
Right
He roller-coaster he got early warning
He got muddy water, he one mojo filter
He say "one and one and one is three"
Got to be good-looking 'cause he's so hard to see
Come together right now over me
Come together, yeah

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Infraestrutura

A matéria de ontem do NE TV fala sobre os engarrafamentos, alagamentos e desmoronamentos que aconteceram por causa das chuvas. Para nós, os engarrafamentos são constantes com ou sem chuva. Pegar às 7 da matina a Av. Bernardo Vieira de Melo, no trecho só de Piedade, é um exercício de paciência. Já demorei até meia hora em um trecho que deve ter o quê, 4 Km? Dentro do Candeias - Dois Irmãos é que ferrava mesmo. Os alagamentos são brincadeira. Recife para todas vez que cai qualquer chuva. Temos que ficar rezando bastante para não vermos as chuvas do Sul e Sudeste passarem pelas bandas de cá. Se vierem, vai ser um Deus nos acuda. Desmoronamentos. Se chover vai cair. Alguém tem dúvidas disso? O descaso é percebido por todos na maioria dos lugares que se vá. Para mim, o principal culpado disso é a falta de planejamento adequado para o crescimento populacional e urbano. Os interesses políticos aparentam passar bem longe disso. Nunca vi tanto buraco e asfalto ruim. O esgoto a céu aberto que corta todo o Recife é uma piada. É a beira canal. No RJ chamamos de valão!!!
Vale a pena ver as edições deste ano da National Geographic que está com o tema anual falando sobre o mundo e seus 7 bilhões de cidadãos. A tendência é de mais crescimento. As matérias tratam de como podemos mudar o consumo e como as cidades podem e devem fazer para moldar o crescimento urbano. O famoso crescimento sustentável. As últimas edições da Exame também possuem excelentes matérias sobre o crescimento das cidades. Para se ter uma idéia a reportagem das páginas 102 até 123 da edição 988 da revista é sobre um estudo feito a pedido da Exame à consultoria PwC e a empresa de estudos de mercado urbano Urban System sobre o estado da infraestrutura e quais os investimentos necessários para que as metrópoles brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Recife e Porto Alegre. - tenham dias menos sombrios. A constatação: 330 bilhões de reais até 2025 para que haja melhoria significativa em transporte, energia, telecomunicação e saneamento. Recife precisa de 29,8 bilhões de reais em investimentos. Só perde para São Paulo (105,4 bilhões) e Rio de Janeiro (57,9 bilhões). Precisamos de investimentos na casa dos 23,4 bilhões para transporte. O metrô consumiria a ordem de 20,4 bilhões para a construção de mais 68 km com um sistema semelhante ao de Seul, clique aqui e aqui, e 3 bilhões na construção de corredores de ônibus (não vale o da Conde da Boa Vista) como o bem desenvolvido Metrobús do México para possuirmos um sistema funcional e proporcional ao número de habitantes e 1,9 bilhão em saneamento. Vale ressaltar que 37% da população recifense possui saneamento e desses 64% possuem o seu esgoto tratado. 
Bem, se a inflação não se tornar um problema maior, se os cortes dos gastos públicos não forem meras fantasias governamentais e forem de fato nos locais onde os problemas existem e se as amarras fiscais forem abrandadas poderemos crescer melhor que o esperado e poderemos crer que as melhorias realmente virão. Se nada disso acontecer?
Calma, a Copa do Mundo vem aí. Nossos problemas serão resolvidos. Não há porque se preocupar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Burne

Se não estiver enganado, há umas duas semanas assisti uma matéria do Domingo Espetacular da Rede Record sobre um cãozinho pitbull chamado Burne que fora queimado com óleo (É a mesma que essa que foi veiculada no SP No Ar). Hoje, foi contada uma nova parte da saga de Burne.  Mesmo com toda a violência que vemos ser noticiada todo dia é difícil imaginar alguém que não se emocione, se comova e não repudie a barbaridade e covardia feita com aquele animalzinho.  Minha adorável mãe, sempre que vê certos tipos de notícia comenta: "O mundo está perdido". Realmente é difícil crer que ele não esteja depois de reportagens como esta.
É triste ver que a maldade do ser - humano pode atingir escalas inimagináveis. Qualquer busca pela compreensão sobre a crueldade humana em qualquer âmbito, por vezes, me parece pura perda de tempo.  No momento, sinto como se isso fizesse parte da essência humana. A paz, o cuidado e a bondade parecem palavras desprovidas de significado.
É doloroso porque sabemos que não é  apenas um caso isolado de um cãozinho "sem sorte".

Música de Domingo à Noite - Keane - A Bad Dream



A Bad Dream

Why do I have to fly over every town up and down the line?
I'll die in the clouds above and you that I defend, I do not love

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind

Where will I meet my fate?
Baby I'm a man and I was born to hate
And when will I meet my end?
In a better time you could be my friend

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind
Wouldn't mind it if you were by my side
But you're long gone, yes you're long gone now

Where do we go?
I don't even know my strange old face
And I'm thinking about those days
And I'm thinking about those days

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind
Wouldn't mind it if you were by my side
But you're long gone, yes you're long gone now

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Me preocupa o silêncio dos bons

Tragédia de Realengo, assassinato das irmãs em Cunha, serial killer em Nova York, confrontos no Egito, Líbia, Bahrein... Será que é possível ligar a televisão e não escutar 9 das 10 notícias veiculadas sendo sobre violência, desastres, tragédias?

Lembram da tragédia das chuvas do início do ano no Rio de Janeiro? E a de Niterói no ano passado? Talvez a de Santa Catarina? E as constantes enchentes que fazem vítimas e mais vítimas todos os anos em várias capitais do país? Fora as mortes absurdas como a da estudante Fernanda Mateus da UFPE, no último dia 12, que ceifam a vida de jovens com todo um futuro pela frente. O que foi feito? O que está sendo feito?

O que realmente me indigna não é vermos R$ 1 bilhão sendo gastos para reformarmos o Maracanã, ou todos os elefantes brancos sendo criados como a Arena Pernambuco, CPI's que acabam em pizza ou o Tiririca sendo eleito. O que mais me indigna é vermos todas essas notícias no Jornal Nacional, ou seja lá onde for, acharmos tudo absurdo, mas assim que a matéria termina, continuamos onde estamos esperando os próximos capítulos que virão no dia seguinte ou da novela que está prestes a começar.

Martin Luther King disse: "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

Me preocupa o silêncio dos bons.

Como tudo começou...

A idéia de escrever um blog sempre passou por minha cabeça, mas nunca chegou ao ponto de amadurecimento suficiente para que eu enfim resolvesse começar a publicar os pensamentos e as idéias que me surgem. Escrever o que sobre o que? Futebol, política, religião, cinema, gastronomia? Qual a minha expertise para falar de maneira categórica sobre esses assuntos?

Daí, percebi que não é necessário ser uma sumidade em determinado assunto para expô-lo, claro que o mínimo de conhecimento sempre será necessário, mas a destinação do blog é comentar sobre meus devaneios acerca do mundo e não promover debates calorosos sobre determinado tema e/ou assunto. Se isso acontecer, ótimo.

Não sei se o amadurecimento foi atingido, mas o que mudou foi uma necessidade de expor, de gritar ao mundo tudo aquilo que é criado aqui dentro.

O Bloco de Rabiscos nada mais é do que a expulsão das inquietudes, alegrias, insatisfações, satisfações, anormalidades e normalidades de uma vida cotidiana.

Sejam bem-vindos,