Abastecer um automóvel no Brasil nunca foi prazeroso. Nesse mês de abril então, deve ter sido mais difícil do que encarar os longos e intermináveis engarrafamentos do dia-a-dia e que foram piorados ainda mais pelas chuvas. Daí, surge uma pergunta que parece difícil de ser respondida: Como é que em um país que se orgulha de ser auto-suficiente em petróleo e que possui o famoso pré-sal pode vender uma das gasolinas mais caras do mundo quando vizinhos que nem petróleo exploram, pagam bem menos? Se somarmos a isso o fato de que consumimos a chamada gasolina “C”, com adição de álcool anidro e que nos demais países não existe essa adição, ficamos ainda mais enfurecidos (ou com cara de bobos). Vasculhando pela internet descobri (se é que já não sabia) que o grande vilão do assunto é a alta carga tributária do país. Acho que ninguém deve ter pensado que seria diferente.
Segundo o blog da Petrobras os impostos são responsáves por aproximadamente 50% do valor final da gasolina – ICMS, PIS/PASEP, COFINS e CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – e não esqueçamos de acrescentar o custo da adição do álcool anidro. De acordo com o blog Radar Econômico do Estadão a soma de impostos, contribuições e taxas representa aproximadamente 55% do preço final da gasolina no país, equanto que nos EUA, por exemplo, não ultrapassa os 13%.
Entretanto, apesar de a carga tributária ser a via crúcis de qualquer cidadão brasileiro não podemos dizer que apenas ela é que faz com que o preço da gasolina atinja valores absurdos. A adição do álcool e suas oscilações acaba por comprometer a estabilidade ou a redução dos preços da gasolina. O governo ser detentor de menos de 40% das ações da Petrobras, mas possuir 56% dos votos também prejudica a formação de preços decentes ao consumidor e demonstra que a liberdade competitiva do capitalismo vai funcionar de acordo com os interesses do governo que normalmente não parecem alinhados com os interesses da sociedade. Miriam Leitão comenta em artigo escrito em 2009 que o mercado de combustíveis no Brasil é anormal. Ela questiona o porque de os preços em nossas bombas congelarem quando os preços lá fora sobem e o porque de não diminuírem quando os preços lá fora caem. Resposta que tem a ver com os simples interesses políticos de nossa menina dos olhos. O cartel formado pelos postos de combustíveis que impedem a livre concorrência e a não fiscalização do governo também facilitam a manutenção da alta dos preços e a lenta diminuição destes. É impressionante a igualdade de preços até nos décimos de centavo.
Sentimo-nos lesados todas as vezes que paramos em um posto de combustível e ainda temos que ter a preocupação em não estarmos consumindo produto adulterado, e não o de má qualidade a que estamos acostumados. Não podemos nos fazer de inocentes e achar que os combustíveis são adulterados por causa da carga tributária, mas que isso ajuda e muito a aumentar os casos de adulteração isso é inegável. Fora isso, comparo a adição de álcool à gasolina ao completo absurdo da proibição do uso do diesel em automóveis de passeio. O protecionismo ao donos de engenho já deveria ter acabado na época do Brasil colonia, mas ainda somos um país antiquado que não percebeu a chegada de novos tempos e vamos engatinhando para os tempos modernos.
Por causa do aumento do preço nas bombas neste mês de abril a Petrobras acabou divulgando nota dizendo que não possui responsabilidade pelo aumento e que a última alteração no preço da gasolina foi uma redução de 4,5% em junho de 2009.
Dessa vez, o responsável pelo aumento da gasolina nas bombas foi o aumento do álcool e que é reflexo da crise de 2009, mas que nos próximos dias os preços tendem a reduzir com o começo da safra 2011-2012.
É esperar para ver.
Dessa vez, o responsável pelo aumento da gasolina nas bombas foi o aumento do álcool e que é reflexo da crise de 2009, mas que nos próximos dias os preços tendem a reduzir com o começo da safra 2011-2012.
É esperar para ver.

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