sábado, 28 de abril de 2012

Sistema de Cotas - Segregação Racial e Social

O STF aprovou ontem o sistema de cotas raciais nas escolas públicas do país. Claramente é um assunto que divide opiniões.

Para mim, está claro a impotência do Estado em garantir uma sociedade justa, igual e com ensino de qualidade.

O ministro Luiz Fux disse sobre seu voto a favor que "A opressão racial dos anos da sociedade escravocrata brasileira deixou cicatrizes que se refletem no campo da escolaridade. A injustiça do sistema é absolutamente intolerável".

Já Ayres Britto disse durante o voto que os erros de uma geração podem ser revistos pela geração seguinte e é isto que está sendo feito.

Pois bem, intolerável é o ensino de base que é inexistente nesse país.

Intolerável é tentar consertar erros de uma geração com medidas que não tratam o problema na outra.

Intolerável é ler pesquisa da FGV que aponta que 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que abandonam a escola o fizeram porque consideraram a escola desinteressante.

Intolerável é um país que se vangloria por estar em plena ascensão, mas que pode travar esse "crescimento" por não possuir profissionais qualificados.

Estudei em colégio público (1º e 2º anos) e particular (colégios de ponta do RJ e PE). Vi não só a maioria numérica de estudantes negros e de pessoas de classe menos privilegiada de uma (escola pública) como a maioria maciça de brancos e de classe mais privilegiada na outra. Vi a diferença de ensino muito mais favorável da escola particular em relação à pública.

Lembro de ter passado quase 6 meses no meu segundo ano sem aulas de português. Isso mesmo. Quando deveria estar me preparando para o vestibular eu não tinha aulas de português. No primeiro ano, minha professora de português, Terezinha, passava várias e várias aulas fazendo ditado. E ela estava corretíssima. Saber escrever português é o mínimo que alunos que estão iniciando o Ensino Médio devem saber. Ela enxergava uma deficiência nos alunos que vinha desde o começo do ensino fundamental.

Se mal tínhamos português imagine o inglês. Foram dois anos estudando verbo "to be". Nem comento sobre as professoras. Lastimável.

Muitos dos professores eram limitados e os que poderiam avançar um pouco mais não o faziam porque os alunos simplesmente não conseguiriam acompanhar. Nunca fui uma sumidade em matemática, muito pelo contrário. Fui para a recuperação na 6ª, 7ª e 8 ª. No primeiro ano, no público, já havia passado no 2º bimestre. Lá a média era 5 e se você alcançasse 20 pontos no ano passaria por média ao final do ano.

O vestibular era mito na escola pública em que estudei. E digo pelos amigos de outras escolas, primos, etc. que naquelas não era muito diferente.

Hoje, de todas as pessoas que conheci e\ou tive algum contato e recente notícia apenas uma, fora eu, se formou. Outra está na faculdade ainda e outro trancou a segunda - esses são dois irmãos que os pais são professores. Universidade Pública apenas eu.

Passei no vestibular muito mais pela boa educação de base que tive do que pelo meu ensino médio.

Concordo que o sistema por meritocracia seja o melhor para definir aqueles que entram na faculdade.

Concordo também que em um país tão desigual como o nosso a tendência é que apenas os estudantes que obtiveram o melhor ensino até o ensino médio é que, em sua grande maioria, entrarão na faculdade. E isso acontece com os alunos de pais com maior poder aquisitivo e que podem colocar seus filhos em melhores escolas. É um ciclo.

O choque de realidade é imenso. Mas para quebrar esse ciclo e tornar as coisas mais iguais não adianta o governo querer consertar um erro cometido durante toda a vida acadêmica dos alunos com medidas forçadas no meio do percurso.

O cidadão que sempre obteve educação de qualidade jamais precisará de cota.

E eu, como pai e cidadão, se com o dinheiro do meu trabalho pagar um ensino de qualidade para a minha filha - porque mesmo pagando meus impostos o Estado não é capaz de manter um ensino minimamente qualificado - posso ver minha filha obter nota para entrar em uma universidade pública mas não ficar com a vaga só pelo fato de ela não ser considerada de determinada cor ou classe social?

É sobre isso que versa o Princípio da Igualdade presente em nossa Constituição? É tapando o Sol com a peneira que o país vai tratar seus cidadãos?

Ora, não é dever do Estado oferecer educação de qualidade? A população paga os seus impostos, o governo não cumpre com suas obrigações e para tentar corrigir suas falhas cria um sistema de cotas?

Ser branco, negro, pardo, índio, rico ou pobre não deve ser nunca medida que decida a entrada de cidadãos seja lá onde for. Não acredito que escolhas baseadas nisso resolva questões sociais.

Vai sim, segregar pessoas.

domingo, 22 de abril de 2012

Alicia Keys - Elements of Freedom

Resta ouvir música bacana para esquecer mais um papelão do meu time - pela enésima vez no ano começa vencendo e termina perdendo.

Conectado ao Sonora e ouvindo o álbum The Elements of Freedom de Alicia Keys.

A mulher canta. Canta mesmo.

Gosto dessa versão de Empire State of Mind parte II - a letra é bacaninha também.



Mas acho essa outra versão ao vivo da mesma música melhor.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por R$ 30 mil a gente vai de UNO. Eles vão de Dart.


O carro aí de cima é o novo Dodge Dart. Ele pode desembarcar aqui no Brasil em 2013 com a logo Fiat.

Preço do carro lá pelos EUA?

Dart SE -- US$ 15.995
Dart SXT -- US$ 17.995
Dart Rallye -- US$ 18.995
Dart Limited -- US$ 19.995
Dart R/T -- US$ 22.495

Ele chega para concorrer com Civic, Corolla, Focus, Cruze...

A versão de entrada do Dart só não é mais barata que a do Civic que custa US$ 40 a menos.

Quanto vai custar quando chegar no Brasil?

Deixa o sofrimento para 2013.

Fonte: http://carros.uol.com.br/ultnot/2012/04/16/dodge-dart-tem-precos-definidos-nos-eua-versao-basica-custa-menos-de-r-30-mil.jhtm

sábado, 7 de abril de 2012

The Walking Dead HQ


Rick Grimes - HQ The Walking Dead #24
Não é uma simples história sobre um grupo de sobreviventes em um apocalipse zumbi.

A história vai muito mais fundo nas relações humanas do grupo e de quem eles encontram pelo caminho. 

Possui um extremo (muito bem trabalhado) como pano de fundo para explorar questões do tipo:

Até onde o ser-humano consegue ir? Quais os limites? O que os diferencia dos zumbis além do fato de ainda não terem se tornado efetivamente um? O que compõe uma sociedade? Humanidade? O fundo do poço é uma ilusão. Quanto mais fundo se chega mais fundo fica. Quais forças os fazem seguir em frente? A que custo?

Correr e matar zumbis está longe, muito longe de ser a proposta da HQ.

Viciante. Viciei.