quinta-feira, 5 de maio de 2011

Álcool ou gasolina?

Essa pergunta passou a ser bastante frequente desde 2003 quando foi lançado pela primeira vez um carro com motor flex – o Gol Total Flex. De lá para cá a desconfiança que inicialmente existia acabou.
Hoje, com as vendas do mercado automotivo batendo recordes a cada mês as vendas dos carros flex só estão a aumentar. É bastante difícil encontrar um carro produzido no país que seja vendido exclusivamente com motor à gasolina e os que são com certeza já estão encaminhando seus novos motores.
A grande vantagem pensada na época era a de que o cidadão poderia escolher como bem entendesse com qual combustível  abasteceria e parecia que a briga pela redução nos preços de nossos combustíveis seria positivo para o consumidor. O velho papo da concorrência.
Mas a vida não é tão simples assim. A escalada dos preços dos combustíveis é crescente, a produção da cana não acompanha o aumento do número de veículos vendidos no país e os aumentos do petróleo nos deixam ainda mais preocupados. É, tem a velha questão dos impostos também.
Só que algo que pouco vem à tona, pelo menos eu não vejo muito, é o quão ruim é a eficiência de nossos motores. Os combustíves vendidos aqui – etanol, gasolina e diesel – são ruins, mas saber que possuimos um motor movido à alcool com o mesmo consumo de 20 anos atrás é ridículo. Nesse quesito os motores à gasolina são melhores resolvidos, mas ainda podemos avançar. Não acho que carros que façam 10 km/l dentro da cidade sejam um exemplo de eficiência. No estado atual das coisas até podem ganhar esse rótulo.
Somos os precursores da tecnologia “flex” e não parece que avançamos muito desde a sua implantação. O fato de ser caro o desenvolvimento de motores mais eficientes ajuda para a estagnação. Pode ser que isso mude se for levado adiante a idéia de se incentivar a produção de motores movidos a etanol mais eficientes através de financiamentos ou redução/isenção de tributos que o governo está estudando e que já estaria sendo discutido junto as montadoras.
Outro ponto é que o consumidor sempre se acomodou porque o etanol ainda era bastante vantajoso só que com a necessidade de o seu preço não ultrapassar 70% do preço da gasolina para poder valer a pena e com seus constantes aumentos isso hoje é problemático. A questão ambiental também passou a ter uma relevância bastante grande nessa discussão.
A indústria tem trabalhado para aumentar a autonomia dos automóveis e os governos estão passando a forçar mais esse aumento. Em 2009 o governo Obama anunciou que até 2016 os carros produzidos por lá deverão percorrer no mínimo pouco mais de 15 km/l de gasolina.
Vamos torcer para que isso nos ajude bastante e que as melhoras que ocorram por lá acabem chegando por aqui. Sem esquecer que é preciso que façamos nossa parte e discutamos para que não dependamos da boa vontade de ninguém e nem da mudança dos outros.

Nosso bolso e o meio ambiente vão agradecer.

2 comentários:

  1. De fato. O povo deve participar "calorosamente" desta discussão. Se deixar por conta do governo nada será melhorado. São ineficientes e extremamente sem projetos reais, que contemplem um país melhor daqui a 20, 30 anos. Atuam por "negociatas" e "acordos". Jogos de interesses...
    Acho que o % considerado econômico do etanol é 30%...

    Bjs
    Pai

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  2. Exato. O preço do etanol não pode ultrapassar 70% do preço da gasolina porque o rendimento médio do motor à álcool é menor. A gasolina não é vantajosa quando passa a custar 30% a mais.

    Correção feita.

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