As notícias sobre os preparativos da Copa de 2014 parecem uma brincadeira de mau gosto ou um pesadelo que estamos tendo acordados. Infelizmente a alegria que tomou conta de todos quando do anúncio oficial ainda em outubro de 2007 – sim, outubro de 2007 – já passou. E acho que ela só voltará quando a bola começar a rolar. A gente sabe como Copa do Mundo é bacana.
Dia após dia vemos os casos dos estádios com problemas de projeto, financiamento, licitação e por aí vai. As cidades mal começaram, se é que começaram, a trabalhar na tão falada melhoria da infraestrutura (transportes, acomodações, tráfego, aeroportos e blábláblá).
O medo da robalheira existe desde o anúncio oficial e vários e vários posts podem ser destinados a uma porção de casos (tentarei escrever alguns) que nos deixam com a pulga atrás da orelha. Quer dizer, se para bom entendedor meia palavra basta a pulga já saiu de trás da orelha faz tempo. Os absurdos estão aí. Vão deixar tudo pra cima da hora para dar um pontapé nas licitações e superfaturarem os projetos.
A moda da estação é o tal do Fielzão. Nome ridículo para se dar para um estádio de futebol. Ok é em homenagem à torcida do Sport Club Corinthians Paulista, mas não deixa de ser um nome idiota.
As questões políticas são absurdas em torno da sede paulista para a Copa. A Copa das Confederações já possui suas cinco sedes e o nosso coração financeiro foi deixado de lado. Ressaltando que não é apenas por questões financeiras que São Paulo deva ter a abertura ou deva ser sede. 12 dos 21 últimos títulos brasileiros foram parar em mãos paulistas. De 2002 a 2010 foram 6 títulos.
Deveríamos ter 10 sedes, mas como o brasileiro sempre arruma um jeito e Ricardo Teixeira (tem mais poder que Brasília inteira) é o cara, deu-se um jeitinho para empurrar mais duas. O Morumbi foi descaradamente vetado de qualquer participação na Copa. A guerra com a CBF há tempos já foi declarada e como punição inventaram situações mil para que o estádio estivesse fora.
A abertura para o Fielzão entrar no jogo foi dada. O estádio tinha projeto para uma capacidade de 48 mil pessoas e com custo estimado na casa dos R$ 300 a R$ 350 milhões. O acordo entre o clube e a construtura Odebrecht estava sacramentado e o Corinthians negociaria o naming rights e repassaria à construtora. O que faltasse, o clube teria dez anos para poder pagar.
Não se falou em verba pública até então. Mas com a vontade de se ter São Paulo como abertura começaram a idealizar o estádio de nome feio para tal. Nada de Morumbi e nada de Arena Palestra Itália que já está sendo construída e estará pronta antes de 2014. Bateu-se o pé e o estádio é o Fielzão.
A Fifa obriga o estádio de abertura a ter no mínimo 65 mil lugares o que obriga uma mudança de projeto. O custo inicialmente seria de R$ 170 ou R$ 180 milhões a mais, mas posteriormente chegou-se ao valor de R$ 700 milhões. Hoje, a construtora chegou a um novo cálculo e o custo seria de R$ 1 bilhão para realizar todas as exigências da Fifa. O Real está desvalorizado ou a Fifa exige demais?
Quando o valor era uns milhões a menos o presidente corinthiano disse que não aceitaria dinheiro público e que conversaria com a CBF, com a Fifa, com a prefeitura e o governo do Estado para ver o que seria possível e não perder a abertura. BNDES estamos aí.
Agora ele já admite perder a abertura da Copa. Com o prazo se esgotando para o início das obras, uma vez que, é preciso 36 meses para a construção do estádio está arriscado até mesmo de São Paulo não ter sede.
Como disse anteriormente, desde 2007 sabemos que teremos a Copa do Mundo em nosso território e 4 anos depois a maior cidade deste país ainda não tem a definição sobre seu estádio.
Deveria ser condição básica a qualquer funcionário público o respeito aos princípios da administração pública. Parece que nosso país é mestre em escrever e não cumprir o que se determina. As disputas políticas são sempre maiores do que qualquer tentativa de se agir de maneira correta e a vantagem é sempre vista de modo pessoal. Os conceitos morais e éticos são muitas vezes simplesmente esquecidos.
A questão do estádio corinthiano é muito maior do que de onde sairá a verba para a construção. O descaramento do jogo político é evidente e o desrespeito com a população está atingindo níveis insuportáveis.
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Em tempo: CBF utilizará os amistosos contra Holanda e Romênia no Serra Dourada e no Pacaembu respectivamente para fazer um ensaio para a Copa das Confederações e Copa do Mundo.
> Goiânia não é sede e o Pacaembu também não;
> Segundo a CBF muitos serviços não serão oferecidos ou serão parciais.
Em tempo II: Os ingressos para o jogo contra a Holanda custarão de R$ 150,00 a R$ 800,00. Eles ainda acham que vão jogar em casa: Londres.
A idéia é sempre a mesma. Criar o Caos para tirar proveito. A CBF é um país a parte, onde as velhas águias, antigos cartolas, viraram deputados ou senadores, e comandam seu território com os desmandos naturais de quem vivem na impunidade. Milhões rolam nos seus caixas sem qualquer controle. Mensalões e mensalinhos fazem parte do seu modus operandi.
ResponderExcluirEnquanto o povo não for às ruas, brigar pelos seus direitos igual ao que estão fazendo os povos do oriente médio, fartos de opressão por décadas, continuaremos na mesma. Discutindo se um estádio custará R$ 500 milhões, R$ 1,0 bilhão ou qualquer outra fortuna, a ser dividida com os "anões do orçamento da CBF".