quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Multinacionais remetem US$ 4 bilhões às matrizes. Elas precisam ser protegidas?

Navegando pelo site do UOL Carros encontrei no blog Mundo em Movimento de Joel Silveira uma postagem da segunda-feira dia 17/10 que segue a mesma linha de raciocínio de meu post anterior. Conforme ele mesmo diz a matéria é do jornalista Pedro Kutney e foi retirada de sua coluna Observatório Automotivo.

Coloco aqui parte da matéria e se quiserem continuar a leitura é só clicar no link ao final do post.
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Nos primeiros oito meses deste ano, os fabricantes de veículos instalados no Brasil mandaram para o exterior US$ 4 bilhões a título de pagamento de lucros e dividendos às suas controladoras. O valor é recorde, 33% maior do que o observado no mesmo período de 2010 e quase supera o total do ano passado inteiro (US$ 4,1 bilhões). Com essa cifra, a indústria automobilística é atualmente o setor econômico que mais remete lucros e dividendos para fora do País, sendo responsável por 21,2% das remessas registradas de janeiro a agosto. Nada contra o lucro, empresas sustentáveis têm de ser lucrativas. Contudo, é de se perguntar: se as montadoras multinacionais são tão rentáveis aqui, como fica comprovado pelo desempenho dos números acima, por que precisam do protecionismo do governo?

A resposta só pode ser: para lucrar mais ou, no mínimo, continuar lucrando como agora. Até aí nada de mais, é do jogo de qualquer regime capitalista. O problema é precisar lançar mão de escritórios de lobby em Brasília - em vez de usar os centros de engenharia para desenvolver produtos melhores e mais competitivos - para seguir ganhando sem competição. Ao impor, em 15 de setembro passado, um escandaloso aumento de 30 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicado a veículos importados de fora do Mercosul e México, ou que não tenham conteúdo mínimo de 65% de componentes nacionais, o governo brasileiro chancelou a criação de um oligopólio, algo banido da maioria das economias desenvolvidas do mundo, justamente onde ficam as sedes das corporações que se beneficiam desse mercado cativo.

O argumento do governo, de que o IPI maior protege a indústria nacional de uma suposta invasão de veículos importados no País, parece incoerente diante do fato de que simplesmente não existe "indústria nacional" nesse setor, dominado desde sempre por multinacionais que, com suas gordas remessas de lucros, ajudam a aprofundar o déficit da conta corrente externa brasileira. Além disso, as montadoras estão entre as maiores importadoras do Brasil, pois são responsáveis por trazer mais de 80% dos veículos estrangeiros vendidos aqui atualmente. Também compram muitos componentes e insumos de fora.Continuar lendo

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