sábado, 15 de outubro de 2011

Protecionismo Porco

No ida 16 do mês passado foi decretado através de decreto presidencial o aumento de 30 pontos percentuais do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os carros importados de fora do eixo Mercosul-México até dezembro de 2012 para as montadoras que não tenham no mínimo 65% de sua produção nacional ou regional.

A idéia segundo o ministro Mantega é proteger os fabricantes nacionais vide o aumento da concorrência dos importados. No dia 29/09 a presidenta afirmou que era preciso proteger o emprego dos trabalhadores brasileiros e a nossa indústria. E que as montadoras que ainda não possuem o índice mínimo de nacionalização deveriam ter fábricas no Brasil.

A Chery foi a primeira montadora a entrar na justiça e ganhou liminar impedindo a cobrança adicional do IPI até dezembro. Outras montadoras e importadoras também deverão entrar com ações semelhantes.

Diversos países utilizam-se de medidas protecionistas, as quais são obviamente combatidas pela OMC, como forma de protegerem seu mercado e os interesses de seus consumidores. Ontem, em reunião da OMC, Japão, EUA e Coréia do Sul questionaram o aumento e a União Européia e a Austrália disseram-se preocupados com a situação.

Quem deveria questionar e se mostrar imensamente insatisfeito é o consumidor brasileiro. No caso do aumento do IPI acho uma medida que é lesiva ao consumidor  e não ajuda em nada o desenvolvimento de nossa indústria automotiva – apesar de ter sido decretado que para os veículos que não tenham IPI aumentado as fabricantes realizem investimentos em inovação, pesquisa de desenvolvimento tecnológico no país de no mínimo 0,5% da receita bruta total das vendas.

A concorrência é boa porque acaba ajudando um mercado que é sabidamente o mais caro do mundo. O conjunto que compõe o custo do carro no Brasil é formado pelos altos impostos, pelo lucro maior, pelo custo da mão-de-obra e por causa do consumidor que apenas compra e pronto sem nunca questionar (vem melhorando um pouco). Pagamos os carros mais caros do mundo e dirigimos carros tecnologicamente defasados em relação a nossos vizinhos. Estamos carecas de fazer aquelas comparações de preços de carros e ficamos sempre muito p* da vida porque vemos as aberrações tanto nos preços quanto na qualidade do conjunto.

Quando a JAC lançou o J3 e o J3 Turim as concorrentes tiveram que baixar seus preços e aumentar o número de acessórios disponibilizados para tentar rivalizar. O novo Kia Picanto chegou pouco antes da medida do governo e é um carro atualizado com o mercado mundial e que provavelmente iria causar desconforto em seus concorrentes pelo seu acerto. Iria porque seus preços já ficaram mais caros. Assim como o dos outros carros da Kia.

Só que falamos de um mercado onde Corolla e Civic são carros de luxo. Onde ainda se vende Kombi e onde Uno e Gol teimam em serem os mais vendidos.

Somos o quarto maior mercado de automóveis do mundo. Em breve seremos o terceiro atrás apenas de China e EUA. No mês de setembro tivemos alta média de 10,2% (carros de passeio e comerciais leves) no número de vendas dos carros importados – ajudado pela corrida dos consumidores antes do aumento dos preços, uma vez que, as vendas totais caíram 4,6% no mesmo mês. Entretanto, no acumulado do primeiro semestre o país obteve um aumento de 8,15% superando o ano de 2010 que foi o ano de recorde de vendas desses tipos de veículos e a expectativa é a de que até o final de 2011 tenhamos vendido 5,5% a mais que no ano passado atingindo assim um novo recorde histórico.

E isso com preços exorbitantes e qualidade nem sempre compatíveis com o que vemos em outros locais do mundo. Nem precisamos ir muito longe na verdade. Entrem nos sites das montadoras Fiat, GM, Chevrolet e Ford em países como México, Argentina e Chile para ter um pouquinho de raiva. Não façam a conversão de moedas... Tudo tem limite.

A medida é claramente contra as empresas chinesas que chegaram oferecendo carros com uma quantidade bem maior de itens e que mesmo pagando imposto de importação conseguem preços mais competitivos aos que estávamos acostumados durante todos esses anos.

É ótima a idéia de proteger o emprego e a indústria brasileira. Só que isso deve acontecer de forma inteligente.

Ao invés de aumentar o IPI porque não o reduz dos carros que possuem 65% de nacionalização? Iria ajudar os trabalhadores, as montadoras com fábricas aqui e ao consumidor. O mercado ficaria mais aquecido - lembram quando reduziram o IPI em 2009? – os concorrentes se interessariam por construírem fábricas no país ou nos que possuem acordos com o Brasil para poderem competir, as montadoras teriam interesse em disponibilizar uma maior quantidade de acessórios e os preços ficariam um pouco justos...

Para mim, a medida do governo não passa de um protecionismo porco. Estão lesando o consumidor brasileiro.

Em tempo: 1 TRILHÃO 134 BILHÕES 969 MILHÕES e aumentando. O que é isso? Quantidade de impostos pagos até o momento pelo brasileiro em 2011.

Aumento de 30 pontos percentuais do IPI? OK. A gente paga.

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