A idéia segundo o ministro
Mantega é proteger os fabricantes nacionais vide o aumento da concorrência dos
importados. No dia 29/09 a presidenta afirmou que era preciso proteger o
emprego dos trabalhadores brasileiros e a nossa indústria. E que as montadoras
que ainda não possuem o índice mínimo de nacionalização deveriam ter fábricas
no Brasil.
A Chery foi a primeira montadora
a entrar na justiça e ganhou liminar impedindo a cobrança adicional do IPI até
dezembro. Outras montadoras e importadoras também deverão entrar com ações
semelhantes.
Diversos países utilizam-se de
medidas protecionistas, as quais são obviamente combatidas pela OMC, como forma
de protegerem seu mercado e os interesses de seus consumidores. Ontem, em
reunião da OMC, Japão, EUA e Coréia do Sul questionaram o aumento e a União
Européia e a Austrália disseram-se preocupados com a situação.
Quem deveria questionar e se
mostrar imensamente insatisfeito é o consumidor brasileiro. No caso do aumento
do IPI acho uma medida que é lesiva ao consumidor e não ajuda em nada o desenvolvimento de nossa
indústria automotiva – apesar de ter sido decretado que para os veículos que
não tenham IPI aumentado as fabricantes realizem investimentos em inovação,
pesquisa de desenvolvimento tecnológico no país de no mínimo 0,5% da receita
bruta total das vendas.
A concorrência é boa porque acaba
ajudando um mercado que é sabidamente o mais caro do mundo. O conjunto que compõe
o custo do carro no Brasil é formado pelos altos impostos, pelo lucro maior,
pelo custo da mão-de-obra e por causa do consumidor que apenas compra e pronto
sem nunca questionar (vem melhorando um pouco). Pagamos os carros mais caros do
mundo e dirigimos carros tecnologicamente defasados em relação a nossos
vizinhos. Estamos carecas de fazer aquelas comparações de preços de carros e
ficamos sempre muito p* da vida porque vemos as aberrações tanto nos preços
quanto na qualidade do conjunto.
Quando a JAC lançou o J3 e o J3
Turim as concorrentes tiveram que baixar seus preços e aumentar o número de
acessórios disponibilizados para tentar rivalizar. O novo Kia Picanto chegou
pouco antes da medida do governo e é um carro atualizado com o mercado mundial
e que provavelmente iria causar desconforto em seus concorrentes pelo seu
acerto. Iria porque seus preços já ficaram mais caros. Assim como o dos outros
carros da Kia.
Só que falamos de um mercado onde
Corolla e Civic são carros de luxo. Onde ainda se vende Kombi e onde Uno e Gol
teimam em serem os mais vendidos.
Somos o quarto maior mercado de
automóveis do mundo. Em breve seremos o terceiro atrás apenas de China e EUA.
No mês de setembro tivemos alta média de 10,2% (carros de passeio e comerciais
leves) no número de vendas dos carros importados – ajudado pela corrida dos
consumidores antes do aumento dos preços, uma vez que, as vendas totais caíram
4,6% no mesmo mês. Entretanto, no acumulado do primeiro semestre o país obteve
um aumento de 8,15% superando o ano de 2010 que foi o ano de recorde de vendas
desses tipos de veículos e a expectativa é a de que até o final de 2011
tenhamos vendido 5,5% a mais que no ano passado atingindo assim um novo recorde
histórico.
E isso com preços exorbitantes e
qualidade nem sempre compatíveis com o que vemos em outros locais do mundo. Nem
precisamos ir muito longe na verdade. Entrem nos sites das montadoras Fiat, GM,
Chevrolet e Ford em países como México, Argentina e Chile para ter um pouquinho
de raiva. Não façam a conversão de moedas... Tudo tem limite.
A medida é claramente contra as
empresas chinesas que chegaram oferecendo carros com uma quantidade bem maior
de itens e que mesmo pagando imposto de importação conseguem preços mais competitivos aos que estávamos acostumados durante todos esses anos.
É ótima a idéia de proteger o
emprego e a indústria brasileira. Só que isso deve acontecer de forma
inteligente.
Ao invés de aumentar o IPI porque
não o reduz dos carros que possuem 65% de nacionalização? Iria ajudar os
trabalhadores, as montadoras com fábricas aqui e ao consumidor. O mercado
ficaria mais aquecido - lembram quando reduziram o IPI em 2009? – os concorrentes
se interessariam por construírem fábricas no país ou nos que possuem acordos
com o Brasil para poderem competir, as montadoras teriam interesse em
disponibilizar uma maior quantidade de acessórios e os preços ficariam um pouco
justos...
Para mim, a medida do governo não
passa de um protecionismo porco. Estão lesando o consumidor brasileiro.
Em tempo: 1 TRILHÃO 134 BILHÕES 969 MILHÕES e aumentando. O que é isso? Quantidade de impostos pagos até o momento
pelo brasileiro em 2011.
Aumento de 30 pontos percentuais
do IPI? OK. A gente paga.
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